um primeiro presentinho

Fiquei como? Bo-la-do-na.

1 comment Agosto 14, 2008

Resposta automática

Vocês clamam, provocam e eu faço a egípcia. Só penso no quanto quero e preciso de férias. Só penso na semana em que estarei fora, indisponível para todos, ao final deste mês. Minha redação está agora concentrada em modelos de resposta automática, que customizarei de acordo com destinatário:

Modelo 1
Ah, que pena que você escreveu justo quando eu não estou.
Precisei de um tempo pra mim e sei que você entende.
Quem sabe eu dou um mergulho. Quem sabe eu desligo o celular.
Quem sabe eu nem volto.

Modelo 2
Oi. Estou de férias. Desculpe fazer você saber assim, sem avisar antes. Mas não sabia como explicar.
Eu sei, você achou que isso não existiria na nossa relação. Eu também pensava assim. Mas as coisas foram ficando de um jeito que não dava mais pra levar. Achei melhor darmos um tempo.
Vou ficar uns dias fora e depois, na volta, a gente conversa.
Se cuida.

Modelo 3
Esta é uma resposta automática: seu endereço de email excedeu o limite de mensagens para este destinatário, desabilitando a comunicação entre estas duas contas.
Procure pelo suporte técnico. Ou médico. Ou psicológico.

Modelo 4
Pois é, o inevitável aconteceu: você tanto fez que eu sumi.
Tanto me procurou em horas que não eram suas, tanto me perguntou coisas que já sabia, tanto me pediu coisas que não podia que eu parei. Parei com você.

Modelo 5
Oi. Acabei de fazer 30. Me dá um tempo.

3 comments Agosto 11, 2008

Sutileza

“Dinheiro na mão é vendaval…é vendaval…”

Essa foi a música que eu ouvi em looping durante 12 minutos na espera telefônica da Porto Seguro, responsável por uma pequena facada imprevista no orçamento da minha empresa.

Playlist segmentada é isso.

2 comments Julho 30, 2008

As seis mais

Frases-que-causam ouvidas na minha vida nessa semana:

- Eu vi que você me ligou, mas eu não te liguei porque meu sobrinho caiu na cachoeira perto da casa dele, machucou o pé e eu fui socorrer.
(Cláudio, corretor de seguros)

- Tudo sempre tem jeito. Eu sou muito amigo do Eduardo Paes.
(Rogério, despachante)

- Você não abraçou as árvores? Queria tanto ver você abraçando as árvores…
(Camila, cliente)

- Você tá bonita, assim, mais magra. Mas também tava bonita gorda.
(Rô, amigo)

- Você me trouxe pra comprar sapato porque tava com vergonha do meu na reunião?
(Lílian, sócia)

- O problema é a lei seca. Que saco, não posso mais dirigir bêbada e causar acidentes.
(Rosana, ídolo)

7 comments Julho 25, 2008

3, 2, 1…

Ando trabalhando tanto que tudo o que eu mais quero quando chega a noite é encher a cara de TV. De preferência com programação não-exigente.

Não quero ler, não quero escrever, desenhar, assar abobrinhas, alugar filme, choppinho, sair de casa então manemmuerta. No máximo uma corrida com a playlist de fazer faxina pesada. Pra dar uma acordada e evitar as varizes.

Está oficialmente inaugurado meu inferno astral pré-30. Valendo!

2 comments Julho 16, 2008

Multi TOC

Já me acostumei. Cada vez que o assunto TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo - é pauta numa conversa de conhecidos, não consigo escapar de revelar meu ritual da “mão preservada”.
A mão preservada me acompanha há muitos anos e, há pouco tempo, descobri que meu pai recorria aos mesmos mecanismos para, em qualquer situação, manter uma mão limpa e a outra disponível para o mundo. Descobri essa herança quando soube que meu pai estava sob tratamento fisioterápico para corrigir uma lesão no ombro, contraída após anos de viagens de metrô penduradas num braço só. Como eu, ele só deixava a mão direita para o uso comum, e era ela, claro, a designada para aquela barra xexelenta cheia de germes. A esquerda ficava lá imaculada para o caso de precisar coçar o olho, comer uma paçoca, fazer cafuné num neném. Essas coisas que normalmente exigem assepsia.

Minha mãozinha preservada tá numa boa, deixo ela ali guardadinha e, ao contrário do que muitos pensam, não sou germofóbica. Não lavo a mão repetidas vezes, até esfolar. Mas a convivência íntima com outra pessoa me fez perceber que a mão preservada era só o mais evidente dos meus rituais. O olhar de outro acompanhando meus passos me revelou o “carminha”, TOC de diferentes variações que pode ser explicado de forma sintética, apesar de complexo: “carminha” é uma “frustração sensorial”. É quase o que acontece quando pegamos uma garrafa vazia, achando que estava cheia – a força sobra e o movimento fica esquisito. Mas esse não é um exemplo do meu carminha. O carminha de verdade tem esse nome inclusive porque ele é um mini-carma. Uma situação não-resolvida, que vaga e acumula-se para a posteridade.

Quem me conhece bem, já sabe: o supra sumo do carminha é quando eu estou de mãos dadas tipo conchinha (sem dedos entrelaçados, só palma com palma, tipo abraço de palhaço) e a mão alheia faz que vai entrelaçar os dedos e não entrelaça! Ou seja, aquela sensação tátil de ter os espaços entre os dedos preenchidos é frustrada. Fico ali com a mão latejando, formigando. A decepção sensorial é tão grande que já virou técnica de tortura.

Muita gente me pergunta se o chinelo virado de cabeça pra baixo é carminha. Não é. Desvirar chinelo é só superstição.

Numa análise amadora, arrisco-me a dizer que a mãe de todos os TOCs é qualquer tipo de chão recortado, em especial, os quadriculados. Tá pra nascer uma criança que, quando carregada pela mão por um adulto, não se desafia a caminhar sob uma restrição gráfica. Pisar só no preto. Pisar só no branco. Nunca, NUNCA pisar na linha.

Add comment Julho 7, 2008

Como é gostoso o meu francês

Nosso primeiro contato é delicado. Ele me intimida um pouco, me parece ousado, robusto, talvez demais para mim.
No confronto com o ex, humilha-o. Faz com que eu tenha pena dele, faz com que eu me sinta cruel. Nosso último encontro - meu com o ex - foi difícil, turbulento. Muita coisa minha ainda estava com ele e nos despedimos sem que eu tivesse a certeza de que não estava deixando coisas importantes para trás. Reencontrei velhas memórias, reneguei bilhetinhos, rasguei papéis sem convicção.
Interrompi uma história feliz para me lançar ao desconhecido. Mas sei que era hora. Foram mais de 3 anos juntos. No início, pura paixão. Dava gosto sair com ele. Nossa sintonia era grande mesmo depois de muitos percalços. Depois do terceiro aniversário, porém, suas pequenas manias começavam a me incomodar. O barulhinho que por vezes fazia, o jeito duro, sem jogo. E, quer saber? Ele ficou velho. As marcas do desgaste já eram evidentes. Eu cansei dele.
Procurei por outro que me fizesse sair de casa com prazer de novo. Queria um que me desse segurança, que me alegrasse com novidades, que me surpreendesse. E tive sorte: foi amor a primeira vista. Em pouco tempo, lá estava meu coração mais uma vez arrebatado por um francês.
Tento ser comedida, tento não me empolgar demais, mas dou bandeira. Vidrei nele. É verdade que não consigo ficar à vontade assim, de uma hora pra outra. Demoro a ganhar intimidade, faço tudo devagar e chego a questionar se nossa relação é possível: sua pouca idade, seu jeito exuberante, e, sobretudo, seu “tamanho” me assustam. Medo do cacete de estar me colocando em roubada. Mas arrisco. Mantenho a calma e a fé. Eu mereço e a gente vai ser feliz junto.
Hoje busquei ele pra sairmos. Foi nossa primeira vez e ele estava todo arrumado e cheiroso. De longe, o ex ainda me olhou, mas fiz que não vi. Demos uma volta na Barra e trouxe-o até a minha casa. Confirmando a primeira impressão, ele é mesmo avantajado para mim, mas, aos poucos, sei que vou me acostumar. Tivemos um dia cheio e ele, naturalmente, dormiu antes de mim. Já apagado, não pude evitar de olhar pra ele, com carinho “acho que estou gostando de você, Jean-Jacques”. Carro novo é mesmo uma delícia.

Add comment Junho 28, 2008

Zonassu

Vários foram de carro, muitas foram as caronas. Teve quem chegasse de metrô, a pé, de avião.
Uns pediram mapa, outros coordenadas telefônicas e apenas um abortou a missão depois de muito orbitar e não se encontrar.

Na mesa, empada, casquinha, pastel. Risoto de camarão adornado com queijo muzzarella e ovos cozidos disputados com paixão.

Foi nesse domingo, foi no Siri. Cerca de 50 pessoas dividiram a domingueira chuvosa na alfândega entre a Tijuca e a Vila Isabel.

7 comments Junho 24, 2008

Rapadura

Maria Dulce mora do meu lado. Porta com porta.
É até uma mulher pequena. O rosto é delicado, pele clara e cabelos castanhos, fio reto. Mas, de suave mesmo, só carrega o nome. Pisa tão firme que, todos os dias, me faz saber quando sai e quando chega. E quando chega, me encolho na poltrona. Ela vem machucando a escada, degrau por degrau. Sempre me faz prever a mesma cena. “ela vai entrar brigando com o marido”. Ou “ela vem aqui tirar alguma satisfação comigo”. Mas eu nunca acerto.

Add comment Junho 18, 2008

Discovery channel indoor

não é um touro“.

O contato com a natureza silvestre do Catete.

1 comment Junho 14, 2008

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