Archive for Junho, 2008
Como é gostoso o meu francês
Nosso primeiro contato é delicado. Ele me intimida um pouco, me parece ousado, robusto, talvez demais para mim.
No confronto com o ex, humilha-o. Faz com que eu tenha pena dele, faz com que eu me sinta cruel. Nosso último encontro – meu com o ex – foi difícil, turbulento. Muita coisa minha ainda estava com ele e nos despedimos sem que eu tivesse a certeza de que não estava deixando coisas importantes para trás. Reencontrei velhas memórias, reneguei bilhetinhos, rasguei papéis sem convicção.
Interrompi uma história feliz para me lançar ao desconhecido. Mas sei que era hora. Foram mais de 3 anos juntos. No início, pura paixão. Dava gosto sair com ele. Nossa sintonia era grande mesmo depois de muitos percalços. Depois do terceiro aniversário, porém, suas pequenas manias começavam a me incomodar. O barulhinho que por vezes fazia, o jeito duro, sem jogo. E, quer saber? Ele ficou velho. As marcas do desgaste já eram evidentes. Eu cansei dele.
Procurei por outro que me fizesse sair de casa com prazer de novo. Queria um que me desse segurança, que me alegrasse com novidades, que me surpreendesse. E tive sorte: foi amor a primeira vista. Em pouco tempo, lá estava meu coração mais uma vez arrebatado por um francês.
Tento ser comedida, tento não me empolgar demais, mas dou bandeira. Vidrei nele. É verdade que não consigo ficar à vontade assim, de uma hora pra outra. Demoro a ganhar intimidade, faço tudo devagar e chego a questionar se nossa relação é possível: sua pouca idade, seu jeito exuberante, e, sobretudo, seu “tamanho” me assustam. Medo do cacete de estar me colocando em roubada. Mas arrisco. Mantenho a calma e a fé. Eu mereço e a gente vai ser feliz junto.
Hoje busquei ele pra sairmos. Foi nossa primeira vez e ele estava todo arrumado e cheiroso. De longe, o ex ainda me olhou, mas fiz que não vi. Demos uma volta na Barra e trouxe-o até a minha casa. Confirmando a primeira impressão, ele é mesmo avantajado para mim, mas, aos poucos, sei que vou me acostumar. Tivemos um dia cheio e ele, naturalmente, dormiu antes de mim. Já apagado, não pude evitar de olhar pra ele, com carinho “acho que estou gostando de você, Jean-Jacques”. Carro novo é mesmo uma delícia.
Add comment Junho 28, 2008
Zonassu
Vários foram de carro, muitas foram as caronas. Teve quem chegasse de metrô, a pé, de avião.
Uns pediram mapa, outros coordenadas telefônicas e apenas um abortou a missão depois de muito orbitar e não se encontrar.
Na mesa, empada, casquinha, pastel. Risoto de camarão adornado com queijo muzzarella e ovos cozidos disputados com paixão.
Foi nesse domingo, foi no Siri. Cerca de 50 pessoas dividiram a domingueira chuvosa na alfândega entre a Tijuca e a Vila Isabel.






7 comments Junho 24, 2008
Rapadura
Maria Dulce mora do meu lado. Porta com porta.
É até uma mulher pequena. O rosto é delicado, pele clara e cabelos castanhos, fio reto. Mas, de suave mesmo, só carrega o nome. Pisa tão firme que, todos os dias, me faz saber quando sai e quando chega. E quando chega, me encolho na poltrona. Ela vem machucando a escada, degrau por degrau. Sempre me faz prever a mesma cena. “ela vai entrar brigando com o marido”. Ou “ela vem aqui tirar alguma satisfação comigo”. Mas eu nunca acerto.
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Discovery channel indoor
“não é um touro“.
O contato com a natureza silvestre do Catete.
1 comment Junho 14, 2008
12 de junho
Dia dos namorados fazendo dobradinha com sexta feira treze é pra desestruturar quem anda a perigo. Quase deixo passar batido, mas não devia. Sempre foi uma data que mereceu minha atenção.
Especialmente no ano de 1996. Eu tinha 17 anos e saía pra jantar fora com o namorado pra celebrar a data. Escolhemos o restaurante na Vejinha para dar uma assegurada. Era na Barra, italiano. Chegando perto, estranhei: luz clara, salão amplo, uma vibe de La Mole. Seguimos crédulos, pô, dica da Vejinha. Sentamos. Ninguém vinha dar um oi, puxar cadeira, esticar a toalha, trazer um pãozinho, nada. Olhamos ao redor e o povo tinha cara de fome mesmo. Fizemos uma conta simples: umas 20 mesas e dois garçons atravessando o salão em velocidade tentando anotar pedidos, receber casais, levar os pratos, aquilo tudo.
Eis que o pior aconteceu: Romário adentrou o salão.
O assessor de imprensa do restaurante devia ser a pedra preciosa daquele lugar pra conseguir, na mesma semana, a visita do Romário e a matéria na Vejinha. Eu não conseguia acreditar que mesmo o Romário fosse habitué dalí e tivesse escolhido conscientemente aquele programa.

Como esperado, TO-DOS os dois garçons que antes tentavam dar conta do salão se concentraram em atender só o Romário. E mesmo ele fez cara de que comeu e não gostou. A gente, claro, seguiu a noite sem oi, sem cadeira, sem toalha, sem pãozinho, sem nada. Pedimos a conta das coca-colas consumidas e deu a maior vontade de emplacar um calote, porque até pagar foi difícil.
Pra mim, depois desse ano, dia dos namorados virou uma ótima oportunidade pra ficar em casa. Já se vão mais de dez anos e não me arrependo. Esse ano então foi primoroso: rolou macarrão com camarão (prato e trava-língua!) no Palacinho e quem provou disse que estava ótimo.
Add comment Junho 14, 2008
Naming
Você tem uma fábrica de pães, bolos e biscoitos. Seu porte é pequeno, seu público é C/D, seu preço é baixo.
Na sua linha de produtos, existe um biscoito voltado para as crianças, com várias versões: com ou sem recheio, nos sabores de chocolate, morango e o clássico “neutro” ou baunilha. Gravadas no biscoito estão figuras de bichos, ou de letras+números, enfim. Tá, você se inspirou no Passatempo.
Dito isso, que nome você dá a esse seu biscoito?
Hobby, claro.
3 comments Junho 10, 2008
1989
E para encerrar o capiítulo pré-história, divido com vocês:
(da série “porque mãe guarda tralha”)
Rio, 14 de novembro de 1989.
Se você está Afif de ficar Maluf comendo Lulas estragadas ou usando Brizola para ver tudo em tecniCollor, cuidado: você vai ficar de queixo Caiado ao ver que logo na 2a Freire você está com as Chaves do inferno nas mãos e com os pés nas Covas. E aí, nem mesmo o poderoso Ulisses poderá salva-lo deste seu Camargo destino, que já está meio Marronzinho. Meu nome é Enéas!
Add comment Junho 9, 2008
Deus castiga
Parece retaliação: depois de assumir que eu não lembrava mais como era a vida na pré-história, fiz uma regressão na marra.
Uma semana sem conexão. Pontuada por 3 visitas técnicas e a média de 2 horas diárias ao telefone, num hotline com as profundezas no inferno.
Add comment Junho 9, 2008
Na era do gelo
Do meio de junho ao início de agosto, a Sibéria fica no alto JB. O frio pra valer ainda nem chegou , mas esse fim de semana já foi de procurar as tocas pra manter o pé e a goela quentes. Dois dias de tinto, café e meias listradas debaixo da coberta.
PS 1: quem viu o campo do Maracanã no FLA X FLU jurou que a Sibéria é aqui sim.
PS 2: meu time tem patrocínio do Charada. Juro que achei maneiro.
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Lembranças da pré-história
Eu tô naquela casa onde as pessoas começam a procriar. Ou a pensar na hipótese.
Quando sou eu que penso nisso, sempre me divirto imaginando como vai ser esse nunca-tão-enorme-como-agora abismo entre gerações.
Aos 5 anos, meus filhos já terão plena certeza que sou um elo perdido quando eu mostrar pra eles onde ficava o Tivoli e o Drive-In da Lagoa. Vou contar da Conga e do Trem-Fantasma com carrinhos de bunda de fora e eles vão ter aquela peninha que temos da inocência da juventude dos nossos pais quando eles cantam ocalhambeque.
(A propósito, mesmo quando criança, nunca entendi porque os carrinhos andavam de bunda de fora. Além de inexplicável, achava meio erótico pra uma atração infantil).
A primeira vez que meu nome saiu de uma impressora eu tinha uns 8 anos. Foi numa festa junina, numa barraquinha que tinha como atração, olha só, uma impressora matricial! Fazer um cartão com seu nome impresso era mais caro que a pescaria e eu obriguei meu pai a esperar comigo na fila, que também era a maior entre as barracas. Como explicar isso pra que nasce depois de 2000?
E vai ter o capítulo celular+internet. Como assim, mãe, não tinha Google? Não tinha email? Como vocês faziam pra mandar rápido uma coisa pra outra pessoa? Como vocês faziam pesquisa de colégio? E como, COMO, vocês faziam pra marcar com alguém no shopping/cinema/supermercado? Eu já sei que não vou conseguir dar respostas satisfatórias para nada. Vai ser massacre.
Add comment Junho 1, 2008

